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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

HOMENAGEM JUSTA

Benedito de Sousa Sá nasceu neste Piauí da sua benquerença. Por onde anda, todos o conheceu como B. Sá, amigo sincero e leal. Sempre trabalhador, diariamente cumpre deveres no qual de um dos comandos militares de Manaus. Embora na reserva remunerada do Exército desde 1977, orgulha-se de não ter ficado um só dia na inatividade.

Mereceu recentemente, ao completar cinqüenta anos de serviços relevantes ao Brasil, homenagem de carinho e justiça dos seus companheiros, na capital amazonense, cuja imprensa assim se referiu à personalidade do homenageado:

"Em 1938, ingressou no Serviço Público, na Imprensa Oficial do Piauí, como aprendiz de artes gráficas. Deixou aquela 'escola' em 31 de outubro de 1945, para ingressar, no dia seguinte, em outra grande escola - o Exército - como soldado do 25º BC, em Teresina-PI.

Galgou todas as graduações, de Soldado a 2º Ten, pelo princípio do merecimento, em decorrência de uma conduta exemplar dentro e fora do quartel, exação no cumprimento do dever, assiduidade, companheirismo e, acima de tudo, lealdade.

Serviu na AMAN por mais de oito anos, exercendo, além dos seus encargos normais, as funções de Presidente do Clube dos Subtenentes e Sargentos - ocasião em que fundou um tablóide informativo.

Na Guarnição de Teresina, escreveu, por dez anos, a coluna dominical 'Vida Militar' no jornal O Dia, com a divulgação na Radio Difusora local. Foi ainda presidente por quatro vezes, do Clube do Marquês de Paranaguá - dos ST e Sgt - sendo um dos fundadores do Jornal e Revista 'Carnaúba'.

Aos 52 anos, no posto de 2º Tenente, quando em serviço no hospital Geral de Manaus, foi alçando pela cota compulsória, despedindo-se do serviço ativo. Permaneceu, porém, como servidor civil contratado - inicialmente, no próprio hospital e, em seguida, na CRO/12 e no QG/2º Gpt e Cnst, onde se encontra há mais de cinco anos, em plena atividade, com horário integral.

Possui a Medalha de Ouro de bons serviços, a Medalha Militar de Ouro de bons serviços, a Medalha do Pacificador e... mais de sessenta elogios em suas folhas de alterações.

É formado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Universidade do Amazonas. Como se tudo isso não bastasse, é também membro da executiva da ADESG/AM, tendo, por duas vezes, exercido internamente ao cargo de Delegado.

Sempre B. Sá empregou seu dinamismo e sua cultura em prol do Exército e do Brasil, sem descuidar-se dos afazeres de um chefe de família exemplar. O tempo passa, mas ele permanece ao lado da nossa gente: claro, pois ele é Gente Nossa!".


A. Tito Filho, 08/03/1990, Jornal O Dia

sábado, 1 de outubro de 2011

TERESINA ANTIGA

- O primeiro restaurante surgiu em 1876. Vários tipos de suculenta comida. Fornecia bóia para festas familiares.

- Ano seguinte, a grande seca de 77 povoou a cidade de cearenses sofredores. Assistência permanente.

- A primeira escola noturna se criou em 1880, ano em que se introduziu a loteria federal.

- Estendeu-se a iluminação pública  toda a cidade em 1822. Oitenta lampiões de querosene, em postes de madeira. Registraram-se ainda as primeiras observações meteorológicas, com estes resultados: temperatura máxima, 30; mínima, 25,80; média 28,50.

- Grandes festas cívicas com a chegada do telégrafo. Era o ano de 1884.

- Dois acontecimentos de 1886. Sagração da igreja de São Benedito, no Alto da Jurubeba, construída por Frei Serafim. E fundação da Botica do Povo, popular estabelecimento do farmacêutico José Pereira Lopes.

- Grandes festas populares comemorativas da libertação dos escravos em 1888.

- Chegou ao conhecimento do povo a notícia da proclamação da República, 1889. Houve delirantes manifestações populares pelas ruas, no dia seguinte, 16 de novembro. Neste mesmo ano instalou-se o serviço de recolhimento do lixo, em carroças puxadas por bovinos.

- A fábrica de Fiação e Tecidos Piauiense foi inaugurada em solenidade do ano de 1890.

- Em 1891 instalou-se o Tribunal de Justiça do Piauí, composto de cinco desembargadores.

- A Junta Comercial do Piauí teve criação em 1892.

- Em 1894, inaugurou-se o Teatro de 4 de Setembro, cujas obras se iniciaram em 1889.

- Instituído o registro de nascimento e óbito em 1897.

- Coelho Neto, em 1899, dá a Teresina a denominação de Cidade Verde.

- Registrem-se ainda os seguintes acontecimentos interessantes: o primeiro clube teatral (Clube Gramático, 1893). Fundado o primeiro clube social (Clube Dançante Piauiense, 1897). A primeira entidade esportiva, o Esporte Clube, surgiu em 1899.


A. Tito Filho, 25/01/1990, Jornal O Dia

TERESINANDO

Pode-se tomar outros rumos, para mudanças da paisagem. O importante está em ver o que Teresina tem na sua simplicidade faceira. Voltando-se ao rio Parnaíba - a ponte ferroviária João Luís Ferreira, grande obra de engenharia, iniciada na década de 20 e concluída no primeiro governo Vargas.

Rumo norte da cidade, a gente indaga, pois quem tem boca vai a Roma - e encontra o circunspecto Instituto de Educação Antonino Freire, bem defronte o cemitério de São José, este dez anos mais novo do que Teresina, depois ampliado. Mais ao longe o aeroporto, alegre e festivo. Um encanto para visitação. Adiante, alguns quilômetros de asfalto, num percurso pintado de casinhas humildes, está o bairro do Poti Velho, antiga Vila do Poti, onde Saraiva pensou em construir Teresina, mas desistiu, fazendo-a no lugar da igreja do Amparo - o primeiro templo católico da cidade, inaugurado no natal de 1852.

No bairro do Poti Velho, o rio Poti despeja águas no Parnaíba. O Poti de boa pescaria.

Não se deixe de conhecer o Sanatório Meduna - obra de devotamento e de tenacidade do médico Clidenor Freitas Santos, que abriu novos horizontes de cura e de humanidade para os perturbados mentais. Integra 25 anos de serviços em 1977.

A nova penitenciária deve ser louvada, e louvados muitos que fizeram força para conquistá-la do Papai Grande Federal - entre tantos, em dois governos, Raimundo Marques e Sebastião Leal.

Com a ajuda do próximo, chega-se a igreja das Dores, na praça Saraiva - templo católico que serve de catedral. E vai-se ao bairro Vermelha para conhecer a arte do mestre Dezinho e de Afrânio Castelo Branco, na igreja de Nossa Senhora de Lourdes. Prossegue-se até a ponte Antônio Noronha, sobre o Parnaíba, ligadora de Teresina a Timon e Caxias, já no Estado vizinho do maranhão. Nesse trecho da cidade, de imensas áreas, se encontra o magnífico estádio Albertão, de futebol, natural e principalmente de futebol - local em que se pode urrar, e xingar juiz, que nada acontece.

Noutro ponto da capital piauiense, ergue-se o majestoso Palácio da Justiça, em cujas vizinhanças se construiu o Centro de Convenções: auditório de 680 lugares, cabine para traduções simultâneas em cinco línguas, serviço cinematográfico, bares, sala de imprensa, lanchonete, restaurante público.


A. Tito Filho, 31/01/1990, Jornal O Dia

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

CONSIDERAÇÕES

José Eduardo Pereira se vem revelando dos mais lúcidos jornalistas piauienses dos nossos dias. Comentários lúcidos, oportunos, construtivos. Faz poucos dias examinou e bem a questão das casas de cultura do Piauí abandonadas. Noutro artigo convocou atenções para a criminosa publicidade de órgãos públicos, pelos jornais, rádios e televisões, noite e dia, para o endeusamento de pretensos candidatos a cargos eletivos. Faz gosto a leitura do jornalismo do colega da esquerda desta página.

*   *   *

O futuro ministro da Justiça prometeu a pregadores do Evangelho, no rio, que pedirá aos responsáveis por televisões que evitem as cenas de gente NUA, sobremodo neste carnaval. Até os animais, na sua grande maioria, fazem sexo às escondidas, com exceção dos cachorros e respectivas cadelas, que são cínicas a partir do nome. Logo se exaltaram os partidários da liberdade assegurada pela Constituição Federal. Um crime não permitir que a Tieta faça a sugação, na cama, das últimas energias do pobre seminarista que, pela primeira vez, via a abundante flora da esperta Messalina. Neste país democracia vale o mesmo que liberdade total de colocar os possuídos à mostra, passar fome, ter residência e domicilio debaixo das pontes. Não há democracia onde as minorias ricas oprimem e sufocam as maiorias miseráveis.

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Formei-me em direito. No ano da graça de 1955, meu inesquecível mestre Edgar Nogueira, que se tornaria o magnífico ditador do Poder Judiciário do Piauí, me ofereceu várias vezes um lugar de juiz de direito no interior. Era bom, dizia. Promoções ligeiras, pois eram raros os bacharéis que aceitavam a formidável aventura. Estradas intransitáveis. De Teresina ao velho Marruás meio-dia de viagem no verão. Imagine-se no rumo do sul do Estado. Demais de tudo, a politicagem não permitiria a independência do magistrado. De vez em quando se matava um desses pupilos de Edgard Nogueira. Desisti. Hoje seria desembargador, com cem mil bagarotes mensais. E por que não nasci eu simples filha de desembargador. Uma velhota filha INUPTA (nome bonito e difícil) de desembargador falecido está mamando dos cofres piauienses cerca de cinqüenta mil cruzados novos cada mês, só para se coçar. Casando-se, perde a pensão. Amigando-se, nada acontece. Brasil bem Brasil.


A. Tito Filho, 04/02/1990, Jornal O Dia

OUTRA NARRATIVA

Escrevi outro dia sobre Josípio Lustosa, jornalista da velha guarda, falecido neste último fevereiro. Certo dia ele me procurou para tratar do caso de um amigo, o capitão ou major Elesbão Soares, que o governo havia expulsado da Polícia Militar do Piauí. Eu conhecia esse oficial de nome, mas passei a conhecê-lo na primeira conversa que mantivemos. Aceitei-lhe a questão, e buscaria reparação no Poder Judiciário. O ato de expulsão, com base em inquérito foi de autoria do governador. Com o correr dos meses, analisei bem a personalidade de Elesbão. Homem franco, inteligente, audaz. Sacrificava às vezes a carreira militar por virtude de rara teimosia da defesa das suas idéias. Sempre o via alegre, a modo de quem não guardava mágoa, disposto a enfrentar dificuldades e vicissitudes. Aprecieio-o nessas virtudes pouco cultivadas pelos fracos. Só os fortes as abrigam para a formação de uma personalidade respeitada.

Requeri mandado de segurança ao Tribunal de Justiça do Piauí. Perdi de 8 a 1 ou 7 a 2, não me recordo bem. Levei surra feia, que eu esperava, confiante em que ri melhor quem ri por último.

Uma triste e vergonhosa realidade o Tribunal do meu tempo de advocacia. Raríssimos desembargadores mantinham independência no exercício das funções. Quase todos atrelados ao Executivo, do qual, cada um, recebia benesses, empregos, prestígio, à custa de uma magistratura débil e praticamente desfalecida, na sua maior quantidade.

Como advogado, as minhas petições eram curtas e simples. Sempre desprezei os tolos latinismos, que concediam diplomas de sabedoria aos tolos, aos que apreciavam arrotos de erudição. Também não me servia de doutrinações e de jurisprudências. Achava que as leis ofereciam a lógica das cousas, sim, a lógica, pois meu inesquecível mestre de direito internacional no Rio, Haroldo Valadão, me havia ensinado, em aula, que o direito está onde estiver a lógica. Procurava escrever com clareza, linguagem clara, sem rebuscamentos ou expressões rococós, seguro do espírito das normas jurídicas.

Bati às portas do Supremo Tribunal Federal, a tábua de salvação contra o faccionismo do Tribunal do Piauí. Que aleguei? Não me era possível ingressar no mérito das razões governamentais, de acordo com os mandamentos do poder militarizado. Poderia alegar somente ofensa a princípios extrínsecos. Quais? A Constituição Federal lecionava que a expulsão de oficial das forças armadas das fileiras respectivas só se efetivaria por decisão judiciária de que não houvesse mais recurso. A mesma Carta Magna equiparava as polícias militares estaduais às forças armadas, logo só o judiciário tinha a prerrogativa de decretar a expulsão. Ganhei a questão por unanimidade do mais alto colegiado da justiça brasileira. Elesbão voltou à tropa com direito integral, inclusive às promoções.

Advogado humilde, modesto, sem propaganda, sem proteção, fui vitorioso nos casos mais importantes que se levaram a Justiça - assim como o dos professores exonerados por Chagas Rodrigues e outros do mesmo tope.


A. Tito Filho, 01/04/1990, Jornal O Dia

sábado, 6 de agosto de 2011

CRÔNICA DA CIDADE AMADA

Dia 5 de setembro de 1850. Era de noite, quando José Antônio Saraiva chegou a Oeiras, a velha Mocha – capital do Piauí, o antigo São José do Piauí, nome com que o primeiro governante da capitania, José Pereira Caldas, homenageou o rei Dom José, de Portugal. A 7, consagrado a Independência do Brasil, o baiano assumiu a presidência da província.

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Na confluência dos rios Poti e Parnaíba, estava a Vila do Poti, que o presidente visitou ainda nesse recuado 1850. Saraiva não gostou do lugarejo, sujeito a períodos inundações, atacado de paludismo. Achou conveniente edificar a cidade noutro lugar, uma légua acima, entre os citados rios. Fixou-se no local Chapada do Corisco, antiga fazenda de criação de gado, de muitas trovoadas e faíscas elétricas na estação chuvosa. Ainda hoje trovões de papouco e raios atormentam a população teresinense. E foi aí na Chapada do Corisco que nasceu a Vila Nova do Poti.

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A 25 de dezembro de 1850, deu-se o lançamento da pedra fundamental da igreja de Nossa Senhora do Amparo. Mestre das obras: João Isidoro da Silva França. Antes de iniciar o edifício, construiu ele espaçosa casa de palha para se arranchar e por trás dela mais duas – uma como quartel dos soldados, e outra que servisse de abrigo dos escravos. No dia festivo celebrou-se missa na improvisada residência do construtor e houve comes e bebes, o primeiro banquete na futura capital do Piauí. Tocou-se muito foguete. Ao cabo de contas ai nascer uma cidade, sob os auspícios da bravura e da religião. As mulheres importantes tiraram dos baús os vestidos bonitões e se enfeitaram de jóias caras. Outro braço forte de Saraiva se chamou Manuel Domingues.

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A 20 de outubro de 1851, transferiu-se a Vila do Poti para Vila Nova do Poti, mas o povo, bem justiceiro, não deixou que a comunidade morresse, e passou a denominá-la de Poti Velho, ainda agora do mesmo jeito, pobre, casinhas modestas, povo sofrido e bom – o Poti Velho de permanente simpatia, cheiroso a peixe. Com os anos, tornar-se-ia subúrbio de Teresina.


A. Tito Filho, 22/01/1990, Jornal O Dia

TERESINA NA DISTÂNCIA

- Em 1904, o denodado Antonino Freire iniciava a construção do serviço de abastecimento d’água, concluído em 1906. Antes, as casas residenciais compravam o produto, servido em ancoretas que jumentos lerdos transportavam da beira dos rios. 

- De 1906 data a chegada do primeiro bispo do Piauí, dom Joaquim de Almeida. Muita vibração popular. Nesse ano se criava o Asilo dos Alienados. Doidos acorrentados. Quando dirigiu o estabelecimento, Clidenor Freitas aboliu o perverso uso das correntes. Esse antigo estabelecimento de fracos de juízo ostenta hoje o nome do criador: Hospital Psiquiátrico Areolino de Abreu.

- A venda de gelo começou em 1907, parece que de iniciativa de Joaquim Nelson de Carvalho.

- A Escola de Aprendizes Artísticos, depois Escola Industrial de Teresina surgiu em 1910, Governo Nilo Peçanha. Agora se chama Escola Técnica Federal.

- A Imprensa Oficial, núcleo da atual Companhia Editora do Piauí, data de 1911.

- A primeira Escola Normal nasceu no século passado. Viveu pouco. A segunda se criou em 1910. A terceira, oficial, em 1915, que se transformou no Instituto de Educação Antonino Freire.

- Instalou-se em 1916 o jogo do bicho. Loteria dos pobres.

- Dois acontecimentos culturais em 1917 e 1918, respectivamente: a Academia Piauiense de Letras e o Instituto Histórico Piauiense.

- O 25º Batalhão de Caçadores surgiu em 1918. E o Banco do Estado começou a operar em 1921.

- O Clube dos Diários, o Centro diversional por excelência, instituiu-se em 1922. Faz pena nos dias que correm. Sujo, imundo. Jogatina nos porões a noite toda, de mistura com mulheres da Vida fácil, uma consentida imoralidade pública.

- O Flamengo nasceu em 1931. Os primeiros aviões pousaram no ano de 1933. Inaugurou-se a ponte metálica sobre o Parnaíba em 1933. Nos anos seguintes se criavam o hospital Getúlio Vargas (1941), a Legião Brasileira de Assistência (1942), o Corpo de Bombeiros (1944), os primeiros sinais luminosos (1952), a primeira ponte de concreto sobre o Poti (1957), o 2º BEC (1958), a Centrais Elétricas do Piauí (1962), Águas e Esgotos do Piauí (1964) e em 1967 a Faculdade de Medicina.


A. Tito Filho, 26/01/1990, Jornal O Dia